VIGILANTE – Marilice Costi – Poema às mães

por: Marilice Costi

o olho da águia
(se) assusta e atrapalha
o posto sentinela
que imprime carga
e pulsa o coração
para desafogar a alma
mas não exprime
aquilo que precisa
a calma

o olho da águia
vê os cumes e não pára
vê a ânsia e reluta
mesmo assim se espraia
não silencia
a voz que amplia
e é portuária

o olho da águia
desce ao lago, procura pérolas
onde estão as ostras lacradas
o bico da águia é gasto
as garras enfraquecidas
tem unhas que se rasgam

o olho da águia
ainda aprende, ainda alisa
as penas compondo asas
e sobe ao infinito
onde a luz do sol é tanta
que ciente de Ícaro
se encolhe e encanta

o olho da águia
só às vezes, dorme.

 

 

Direitos autorais registrados

MARILICE COSTI  foi mãe adolescente, hoje é avó e profissional. Seu filho adulto com transtorno do desenvolvimento e muitas comorbidades adquiriu autonomia, resultado dos cuidados permanentes com sua singularidade. Mestre em Arquitetura, Especialista em Arteterapia, é autora de livros sobre o cuidado: “As palavras e o cuidado: Arteterapia e Literatura”, “A fábula do cuidador” e “Como controlar os lobos? Proteção para nossos filhos com problemas mentais”, entre outros, para este ano A palavra e o cuidado. Recebeu Prêmio Açorianos em 2016. Foi editora da revista O Cuidador, para cuidar quem cuida (7 anos), que foi finalista no Prêmio Brasil Criativo – SP 2014.  Criou Cuidaqui.com.  Atua para cuidar além de seus pacientes, os cuidadores e familiares desde 1996, em acolhimento e arteterapia.