Saiba mais sobre distúrbios da fala no autismo

por: Marilice Costi

Problemas com a fala são comuns na infância e podem ser sinais do espectro autista.

A incapacidade na comunicação verbal, chamada de apraxia, pode impactar no desenvolvimento de linguagem verbal e social de uma criança. É uma desordem neurológica na fala do autista, que resulta do comprometimento neurológico associado a dificuldades comportamentais. Algumas das limitações aparecem quando a criança realiza atividades coordenando uso da língua, lábios, boca e mandíbula.

Nossa mente sinaliza aos músculos da boca para que possamos gerar o som das palavras e passar nossas mensagens. Quando queremos dizer algo, “nasce” em nosso cérebro o que será concretizado em forma de palavras e verbalizado através de nosso aparelho vocal. Quando existe apraxia de fala - mesmo que não haja comprometimento na musculatura oral - as mensagens do cérebro à boca até ocorrem, mas não ocorre um processo eficaz.

Conforme American Speech-Language-Hearing Association, são estes os sinais mais comuns na apraxia: 

a) Ocorrem longas pausas entre os sons das palavras ditas,
b) A mesma palavra é dificilmente proferida do mesmo jeito,
3) Há dificuldade (motora oral) para se alimentar,
4) A criança compreende melhor o que escuta,
5) As palavras mais longas são mais difíceis de dizer do que as curtas,
6) Se ficar nervoso, a dificuldade de falar é maior,
7) As pessoas têm dificuldade de entender quando a criança fala,
8) Há dificuldade ao proferir consoantes em sílabas e palavras.
9) A criança não consegue mudar o som das palavras de sílaba para sílaba, sequências de palavras ou sílabas são mais difíceis para elas.

Criança

A avaliação de um fonoaudiólogo é muito importante, pois ele será capaz de avaliar a musculatura que interfere na fala e traçará um plano terapêutico adequado às necessidades daquela criança.

Sendo um distúrbio neurológico da fala, é importante que o profissional faça a Análise de Comportamento Aplicada (ABA). O tratamento com o objetivo de dar maior clareza na comunicação da criança é longo e exigirá apoio da família e também da escola.

Apraxia da Fala e Autismo: suas relações 

No Journal of Pediatrics Developmental & Behavioral - um estudo de pesquisadores da Faculdade de Medicina da Pensilvânia, foi publicado em 2015. Eles concluíram que, no Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), a apraxia da fala é uma comorbidade comum, no entanto, a pesquisa resultou no seguinte: aproximadamente 65% das crianças no espectro apresentaram apraxia e 36,8% das crianças com diagnóstico inicial de apraxia eram autistas.

São dados que podem auxiliar no diagnóstico para que essas crianças sejam mais rapidamente atendidas em serviços adequados.

Muitas pesquisas ainda trarão novas esperanças às famílias. Os pais nunca devem perder a esperança, pois com o desenvolvimento da criança, com o apoio e atendimento continuado, ela é capaz de avançar muito.

Bibliografia 

American Speech-Language-Hearing Association (ASHA) Childhood apraxia of speech. 2007a. [Position Statement]. Disponível em https://www.asha.org/public/speech/disorders/Childhood-Apraxia-of-Speech/#signsAcessado em 09 de julho de 2018.

Shriberg LD, Paul R, Black LM, van Santen JP. The Hypothesis of Apraxia of Speech in Children with Autism Spectrum Disorder. Journal of autism and developmental disorders. 2011;41(4):405-426. doi:10.1007/s10803-010-1117-5. Disponível em <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28141716> Acessado em 09 de julho de 2018.

Tierney, Cheryl MD, MPH*; Mayes, Susan PhD†; Lohs, Sally R.‡; Black, Amanda‡; Gisin, Eugenia‡; Veglia, Megan‡. How Valid Is the Checklist for Autism Spectrum Disorder When a Child Has Apraxia of Speech? Journal of Developmental & Behavioral Pediatrics: October 2015 – Volume 36 – Issue 8 – p 569–574. doi: 10.1097/DBP.0000000000000189. Disponível em <https://journals.lww.com/jrnldbp/Citation/2015/10000/How_Valid_Is_the_Checklist_for_Autism_Spectrum.3.aspx> Acessado em 10 de julho de 2018.

Glossário

ABA - terapia cientificamente comprovada que possibilita compreender as ações e habilidades no espectro autista e como elas podem ser influenciadas pelo meio ambiente. Esta forma de intervenção, que já existe há mais de 50 anos, pode contribuir com uma melhora nas interações sociais, aprender novas competências e manter comportamentos positivos.