Inclusão Escolar: um Direito das Pessoas com TEA

por: Marilice Costi

Quando se trata de educação, todos os pais têm esperanças, sonhos e planos para os filhos. Um dos desafios dos pais e cuidadores de pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é saber como contribuir com o processo de inclusão escolar. É importante que ocorra uma parceria entre pais, escola e profissionais envolvidos na educação da criança no ambiente escolar.

Mas, a inclusão vai muito além de fazer com que a pessoa com TEA esteja em uma sala de aula. Muitas crianças e adolescentes com TEA apresentam dificuldades na interação e na comunicação com outras pessoas, comportamentos repetitivos e pouco interesse em realizar atividades próprias da idade.

A inclusão é fazer com que o aluno se envolva nas atividades e tenha uma experiência de qualidade. Além de desenvolver suas habilidades, participar da rotina da escola, aprender e brincar com outras crianças. O aluno necessita fazer parte da turma, interagir com os colegas e professores, compreender o conteúdo das aulas e se desenvolver de acordo com suas limitações e particularidades.

Como escolher a escola?

No Brasil, desde 2012, há a lei n. 12.764 que determina que pessoas com autismo devam frequentar escolas regulares e também têm o direito de ter um acompanhamento, se necessário. Mesmo com isso estabelecido na legislação, os pais podem encontrar dificuldades para encontrar uma escola com disponibilidade e capacidade para lidar com as limitações de um aluno com autismo.

Escolher uma boa escola pode ser difícil, uma vez que depende muito das necessidades individuais da criança. Para que essa inclusão ocorra, a escola e a grade curricular devem ser adaptadas de acordo com o aluno com TEA. É importante ter o apoio da direção da escola, pois a criança precisará de alguns recursos, profissionais e apoio especializado para atender às suas necessidades.

Os pais devem examinar as diferentes opções de escolas disponíveis com bastante antecedência. A maioria das escolas tem sites e é possível marcar uma visita para saber se a estrutura é adequada. Observe a sala de aula, assim como os outros alunos e o professor com quem seu filho passará parte do tempo. Não deixe de se encontrar com o diretor ou responsável pela escola, que juntamente com os demais educadores, garantirão a participação das famílias e dos estudantes no processo de aprendizado.

Busque estabelecer espaços de diálogo que viabilizem a participação ativa de todos os envolvidos – professores comuns, professores do atendimento educacional especializado (AEE), coordenador pedagógico, diretor, auxiliares de limpeza, merendeiros, entre outros. Essa é a melhor forma de atingir os objetivos de aprendizagem e garantir a inclusão e a convivência com outros alunos.

Os professores e responsáveis pela educação devem identificar os interesses e as necessidades do aluno. Com um profissional do atendimento educacional especializado nas escolas é possível identificar o que está atrapalhando ou impedindo a aprendizagem.

Escolha aquela escola que queira incluir seu filho e sua família, além de valorizar e respeitar a pessoa com o Transtorno, suas habilidades e suas diferenças. Há a necessidade de manter uma relação baseada em cooperação e apoio mútuo. Lembrando que a escola não pode se recusar a matricular o aluno com TEA e se a instituição dificultar seu acesso ao ambiente escolar está cometendo um crime.

De acordo com a Lei Brasileira de Inclusão (LBI), o acesso à escola para crianças e adolescentes não pode ser negado em qualquer circunstância, tanto da rede pública quanto particular. E também não pode ser cobrado nenhum valor adicional nas mensalidades devido ao Transtorno.

Caso encontre dificuldades a ter direito a uma educação inclusiva, é possível entrar em contato com a Secretaria de Educação do município e até o Ministério Público para exigir os direitos do estudante. Conseguir desenvolver suas potencialidades, participar em igualdade de condições com outros alunos é um direito da pessoa com Transtorno do Espectro do Autismo.

Referências: https://www.verywellhealth.com/educational-options-for-children-with-autism-260393

Esta matéria foi gentilmente cedida pela NeuroConecta – 29 de out de 2018 – http://neuroconecta.com.br