Você sabia que Alunos em Duplas são Inclusivos?

por: Marilice Costi
  • PARES PERFEITOS

Há muito que a pedagogia sabe que uma criança não aprende com um adulto, a não ser poucos comportamentos por imitação. A diferença etária, cognitiva e cultural impede que um adulto transfira conhecimentos para ela. Daí que é ilusório esperar que um professor ensine uma criança a ler e escrever, na verdade elas aprendem interagindo entre si.
Por isso as escolas que privilegiam grupos ou duplas na sala de aula conseguem resultados melhores, mais rápidos e duradouros. Sábio é o professor que percebe as duplas perfeitas, constituídas de duas crianças complementares.

Foi dessa forma que Rodrigo ensinou Luan a ler e Luan ensinou matemática a Rodrigo. Hoje, sete anos depois, ambos conseguiram entrar na cobiçada Etec. Luan no curso de construção de games, Rodrigo no curso de química.

Duplas na Escola: + INCLUSÃO

O estado de Chicago, nos Estados Unidos, iniciou um projeto de estudo em dupla, com crianças de pré-escola, que estendeu mais tarde para os primeiros anos do ensino fundamental. Duas crianças estudando juntas, com a supervisão do professor. Nas últimas séries do ensino fundamental, essas crianças que tinham estudado em dupla estavam dois anos à frente das crianças que não tinham sido incluídas no projeto.

Em outra fase, constituíram duplas de crianças com dificuldades de aprendizagem, e obtiveram o mesmo resultado, com o mesmo índice de sucesso.

Muitas pessoas criticam a escola, com o argumento de que jamais mudou, segue com o modelo de cem anos atrás: a lousa, o professor, carteiras e alunos. Essa crítica não procede. Ora, também o consultório do médico permanece igual, e o escritório do advogado e até a maioria dos lares (pense que, nos lares modernos, o fogão ainda fica na cozinha, a TV na sala, a cama no quarto e a privada no banheiro, como há cem anos atrás, e verá o que quero dizer).

Ocorre que melhores professores não farão uma educação melhor, da mesma maneira que melhores políticos não fazem uma política melhor, ou melhores médicos não fazem um SUS melhor. O problema é do sistema e é ele que tem que ser modificado.

Nas nossas escolas, começamos pela constituição de duplas de crianças complementares. Temos colhido surpresas positivas e temos visto, agradecidos, muitos Rodrigos e Luans surgindo nas salas de aula.

Memorize: uma criança não vai à escola para encontrar o professor, o diretor ou o porteiro. Uma criança vai à escola para encontrar os amigos. Favoreça isso e verá a mágica acontecer.

* Manoel Vazquez Gil é psicólogo, pai de autista, autor colaborador na revista O Cuidador, online na Biblioteca Virtual na SANA ARTE. 
Publicação autorizada.