Dicas de Iara Portugal: A SABEDORIA NO CUIDAR  

por: Marilice Costi
  1. Quantos pais idosos cuidam de seus filhos com deficiências? O envelhecimento é inevitável. O texto abaixo é de uma das mulheres guerreiras do RS. Iara teve a experiência no cuidado de seu marido com Alzheimer, mas quantas pessoas têm filhos com demência, com autismo, com transtornos mentais? Compreender nossa missão neste mundo é muito importante, assim como cultivar as amizades, buscar a alegria e o apoio em amigos, na espiritualidade, nas ações solidárias fazem a diferença!
  2.                                                                   Marilice Costi

Ser importante no cuidado é um valor, não deve ser visto como uma sobrecarga, apesar de ser um esforço real a fazer. Lidar com a realidade é melhor e nos faz crescer, tornamo-nos mais humanizados.

O familiar é fundamental, por isso precisa cuidar também de si mesmo, apesar do que percebe, sente, entristece, agonia.

Dados da Organização Mundial da Saúde mostram que 80% dos familiares-cuidadores ficam com depressão. É muito grande o desgaste emocional e, muitas vezes, tam­bém o financeiro.

Familiares-cuidadores precisam de momentos de distração ou lazer, o que pode ser conseguido também em casa, aproveitando sempre os momentos em que não é solicitado.Tendo a certeza de que o doente ficará bem acompanhado e que não sentirá muito a nossa falta, é conveniente passear e distrair-se, dar vida para si mesmo. Mas quando for sair, sempre informá-lo para que não se sinta enganado e inseguro sem a sua presença. Valorize a pessoa que irá ficar em seu lugar por aquele breve tempo. A confiança não pode ser quebrada.

Para ludibriar a depressão

(ao cuidador de uma pessoa idosa, que pode ser a mãe ou o pai de uma pessoa com deficiências)

  1. a) atender o doente com amor, conscientizando-se de que somos seus olhos, seus ouvidos, seu bem-estar, sua segurança... sua dignidade;
  2. b) ter a consciência tranquila de que estamos fazendo o melhor possível naquele mo­mento;
  3. c) estar sempre ao seu lado, para que ele não se sinta abandonado e para que assim possamos lhe transmitir confiança;
  4. d) conversar com os familiares sem a presença do idoso, assistir filmes no vídeo, dar algumas saídas rápidas (ida ao su­permercado, às compras, visitar amigos, ir ao cinema).

O melhor apoio ao cuidador vem sempre da família. Quando ela é unida, todos auxiliam nas tarefas para não sobrecarregar o cuidador.

O apoio pode vir também dos vizinhos e dos amigos, mas aceite apenas daqueles que animam e alegram. Tristeza, pena e dó não são bem-vindas. Se forem para o doente, visitas devem ser rápidas, apenas se ele se sentir bem naquela companhia. Caso contrário, não o exponha gratuitamente, preserve sua dignidade e seu direiro à sua privacidade.

E, finalmente, cuidar da espiritualidade: pedir forças a Deus e ter fé que Ele não o abandonará.

  1. Nossa gratidão à Iara Primo Portugal - Presidiu Associação Brasileira de Alzheimer (Sub-Reg POA) e o Grupo de Apoio aos Familiares dos Doentes de Alzheimer do Hospital Mãe de Deus em Porto Alegre/RS. Cuidadora de seu marido, é autora de: Doença de Alzheimer: como lidar com o doente. Porto Alegre, 2003.

Esta matéria foi publicada - Revista O Cuidador, Nº 2. Confira as matérias dessa edição aqui

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  1. Procure a associação de sua cidade,
  2. a que apoia familiares de pessoas especiais.
  3. Antes, confira se está em nossa Busca Avançada:
  4. Associações/Terceiro Setor
  5. Familiares são sempre auxiliados nessas instituições. 

Aguarde nossas DICAS para cuidar de pessoas com problemas mentais!