DICA DE FILME: A família Bélier

por: Marilice Costi

Era uma manhã chuvosa de domingo, acordei sentindo que meu sono fora reparador depois de muitas noites de pesadelo, aqueles que temos quando vivemos um tempo de análises para tomar decisão.

O filme A família Bélier me aguardava e me acomodei para assisti-lo. A partir de algumas cenas, me surpreendi comigo mesma, pois passei a chorar. A música, o tema, a afetividade, as relações familiares, tudo me tocava profundamente e me deixei ir assim, lentamente, até o final da história. Chorei sentindo algo profundamente sem entender muito bem o longo tempo de lágrimas.

Sempre escrevo com o coração e, com a empatia à flor da pele, eu me permitia sentir minha tristeza, a dor de uma separação. Este texto foi brotando num autocuidado arteterapêutico  – literatura também é uma arte – e, com as emoções e o que tenho de mais profundo, as palavras no papel moveram meus sentimentos e me mostraram direção.

Um filme que nos cuida

A película relata a história de uma moça que tem um dom e precisa seguir seu próprio caminho. Tem que abandonar o que possui para ir em frente para aprofundar seu talento. Mas reluta, porque sabe que muitas pessoas dependem dela: pai, mãe e irmão, todos com deficiência auditiva profunda.

No filme, a filha talentosa e cantora precisava tomar uma decisão: a de seguir em busca da oportunidade de ir para Paris e, consequentemente, deixar de conviver com sua família que dela dependia. Assim eu me senti por muitas semanas. O que ocorre muitas vezes com quem cuida.

Reafirmando o poder que a arte, o cinema e a escrita possuem no autocuidado, escrever este texto me trouxe o insight: eu projetara meus sentimentos no filme e chorara a minha despedida, após muitos dias de angústia (e se eu estivesse errada?) e de medo do novo. Os pesadelos constantes demonstravam o quanto essa decisão estava sendo dificílima. Como sempre, busquei Jung. Em seus livros, a chave para ultrapassar as minhas portas.

A mudança teria que inevitavelmente ocorrer. E foi quando senti de perto o apoio de pessoas muito próximas, que recebi o colo necessário para ter lucidez. E decidir. O que ocorreu aos poucos. E então, penetrando nos meus sonhos, escritos todas as manhãs, fui diminuindo o medo. Até que a noite me trouxe um sonho agrad. Ele revelava novos projetos realizadores, outro caminho na direção do cuidado.

O filme me lembrou de que é preciso seguir o próprio caminho e que tudo se acomoda. O tempo e o amor fazem isso.

E não seria uma despedida, nem um fechar as portas, um ciclo se encerrava para renovar a trajetória e criar algo novo. O Brasil é um país incerto, mas é preciso permanecer na luta.

Para que nossa humanidade continue na direção do bem, permaneçamos uns com os outros.

O filme nos leva a penetrar no reino surdo das palavras e a compreender os sentimentos em momentos de decisão.

Boa sessão!

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Marilice Costi é escritora, arteterapeuta, palestrante e CEO do Cuidaqui.com – produtos e serviços para o cuidado de pessoas especiais e de seus familiares. É cuidadora familiar.