Por que Cuidar Quem Cuida?

Um familiar de pessoa especial é invisível. Esquecido pela sociedade, quem escuta suas dores? Amigos sabem o que fazer com elas? Ao carregar sua vida e a vida de outra pessoa ele se esgota. Adoece e continua cuidando.  É preciso dar a atenção necessária aos cuidadores familiares... Ele é de carne, de osso – e de sentimentos! Cuidar do cuidador é cuidar de uma família. (Marilice Costi)

MARILICE COSTI e Sua História no Cuidado

Sua Base Familiar

fachada de tijolos à vista, tendo no centro o acesso para caminhões descarregarem os suínos, parte que tem mais um pavimento, onde originalmente era a Contabilidade e Arquivo RH.

Perspectiva da Fachada do Frigorífico Z.D.Costi & Cia. Ltda.

Alice fundou e dirigiu a APAE de Passo Fundo/RS por mais de trinta anos e o pai administrou o frigorífico Z.D.Costi e Cia. Ltda. por mais de quarenta anos.

Uma marquise tem o nome APAE e telefone na fachada de tijolos à vista e esquadrias,

Fachada principal da APAE de Passo Fundo

Alice recebe o Título de Cidadã Passofundense pelas mãos de seu marido, no Auditório da Câmara de Vereadores de Passo Fundo.

Zeferino Demétrio Costi recebe o Diploma da FIERGS, sobre a mesa o estojo com a medalha de Mérito Industrial 1975.

O pai de Marilice recebeu o Título de Cidadão Passo-fundense na década de 60. A mãe recebeu o mesmo título pelo seu trabalho na APAE anos depois. Em 1975, ele recebeu a medalha de Mérito Industrial da FIERGS devido ao seu trabalho empresarial. Marilice cresceu entre o ambiente fabril, a casa e o seu entorno. Acompanhava a mãe em suas visitas, brincava com os filhos dos operários.

Gostava de estar com seus dois primos com deficiências. Eles a chamavam de um modo singular e afetuoso, pois tinham problemas de fala, o que a motivou a tentar alfabetizar a prima, que ria muito. Divertiam-se.

A Caminho de Uma Missão

Marilice era muito jovem quando deu à luz a gêmeos prematuros. A partir de então, o cuidado materno se tornou muito intenso, pois ainda teve mais uma menina e bem mais tarde outro menino.

Um dos gêmeos demorou mais tempo para firmar a cabeça, falar, sentar, ter equilíbrio e caminhar que o outro menino. Sua coordenação motora, tanto ampla quanto fina, era pouca. Aos três anos, seu comportamento passou a ser mais agitado e agressivo.

Seu filho foi diagnosticado. Psicose, problemas cognitivos, desequilíbrio na marcha, intolerância à frustração... Sintomas de autismo que, na década de 70, não eram conhecidos como hoje. Marilice era apenas mais uma entre milhares de "mães geladeira". Mães eram totalmente responsáveis pelo que ocorria com os filhos.

Os anos passaram e muita coisa mudou. Seu pai adoeceu e se afastou da empresa. Novos gerentes fizeram empréstimos para aumentar as câmaras frias por estímulo do governo à exportação. Logo a seguir veio o Plano Cruzado, que impossibilitou a quitação das dívidas bancárias. Com inflação de mais de 80% ao mês e os preços congelados, a falência foi decretada.

Em 2003, Marilice registrou essa história para o Seminário de Arquitetura Industrial na UPF: Frigorífico Z. D. Costi: história de uma vida fabril.

Alice continuou se dirigindo às filas nos bancos para pedir ajuda para a APAE e a organizar reuniões com religiosos, políticos, empresários, jornalistas e amigos para conseguir os recursos necessários para pagar seus professores.

Marilice descobriu-se empreendedora ao se envolver com a empresa.

Sana Arte e a revista O Cuidador foram consequências.

Assídua leitora de suas publicações, Alice criticava cada edição e animava a filha ao relatar as dificuldades do pai com a própria empresa, o quanto demorou para ter lucro e como fizeram economia juntos para superar as muitas dificuldades de empreender.

Infelizmente, a mãe de Marilice não viu a edição da revista com a matéria sobre a APAE, nem soube do desfile de carnaval em sua homenagem, do hino que os professores criaram, dos alunos preparados dançando e fazendo coreografias, de suas caracterizações feitas com o auxílio da comunidade e da família. Faleceu no ano anterior.

 

 

 

 

 

 

 

Marilice e Celi Maria, sua irmã participaram do desfile com a escola e viram a arquibancada se levantar, sambar e cantar com os alunos. Foi emocionante sentir o resultado do trabalho de décadas iniciado por sua mãe, Alice, em 1968.

 

 

 

 

 

O Chamado para Cuidar Quem Cuida

Foi em uma reunião no CAPS Centro de Porto Alegre em 1997, que Marilice percebeu o quanto familiares eram sofridos e o quanto fora privilegiada por ter tido tanta ajuda até ali. Foi seu chamado! A partir de então passou a desenvolver projetos para cuidar deles. Tentou uma Oficina de Arteterapia para o Centro de Saúde Modelo, mas não foi aceita. Anos depois, o Projeto Fênix: arte ao cuidador recebeu PRONAC, mas não conseguiu patrocínio. Com uma amiga, propôs outra Oficina, agora para o FUMPROARTE. Aprovada na primeira etapa, foi excluída na segunda, porque não a consideraram da área cultural, mas da saúde! O tempo  corria e não conseguia fazer acontecer. Então, Marilice decidiu criar algo seu! A pergunta que não quer calar! No início do século XXI, a palavra “cuidador” não era encontrada no Google. Afinal, quem enxergava os cuidadores, todos invisíveis em todas as áreas? A quem importava cuidar de quem cuida?  Cuidadores são invisíveis na sociedade, sempre foram. Todo um paradigma a quebrar. Foi assim que Marilice, em 2008, justificou sua decisão para lançar a revista dos cuidadores, O Cuidador: quebrar paradigma no cuidado e seguir a missão de cuidar de quem cuida.  Ao redor desse projeto, construiu-se uma rede solidária durante sete anos. Foram mais de 220 pessoas entre colaboradores e apoiadores, artistas e escritores, muitos amigos e familiares a contarem suas experiências no cuidado. Seu filho autista foi seu parceiro e ficava radiante quando as revistas chegavam da gráfica. Ele as envelopava e se responsabilizava pelas entregas. 

Criança brinca ao lado da mãe. Uma moça de uniforme branco apoia o 'cuidador' colocando suas mãos sobre os ombros da mãe

O Cuidador edição 15 - Como romper barreiras? edição dedicada ao TEA

A crise econômica traçou rumos para revista: o projeto teve que encerrar e ocorreu na edição 40. No entanto, nada lhe tiraria a vontade de cuidar dos cuidadores, especialmente dos familiares. Não poderia guardar todo aquele conhecimento para si. Com um crowdfunding arrecadou 75% dos recursos para criar a Biblioteca Virtual O Cuidador. Então, modificou um pouco seu funcionamento e conseguiu colocá-la online.   Capas de 30 das 40 edições da revista O Cuidador A Biblioteca Virtual é criada conforme o desejo do leitor. Login e senha lhe dão acesso às 40 edições que formam a sua Enciclopédia do Cuidado. Ele faz a escolha da revista desejada clicando nas Publicações/revistas mas também pode ser feita em qualquer momento em seu computador, através de um arquivo pdf, que é baixado à direita, no topo da homepage. A Biblioteca, a partir das aquisições estará com acesso disponível ao comprador. E o que ela faria agora? Marilice passou a procurar novas soluções para continuar cuidando. Um seminário, promovido pelo SEBRAE do RS, com o tema “redes sociais e empreendedorismo” lhe trouxe novo insight: cuidar cuidadores através das redes. Seu sócio achou a ideia ótima e, juntos, deram início ao projeto. CUIDAQUI teria como objetivo cuidar todos os cuidadores em qualquer lugar no país, quiçá do mundo! Com tantos  amigos, como não atendê-los? Tantas singularidades, tantas faixas etárias, tantas cidades... O  mundo que se descortinava era novo para ela. Teria que aprender as regras para desenvolver e administrar uma startup. Em 2017, Marilice se inscreveu com o projeto social CUIDAQUI no Projeto Agir do SEBRAE. E foi com emoção, gratidão e alegria que soube o resultado: foi considerada uma startup gaúcha "de impacto social"!  O SEBRAE lhe abria portas! O universo novo e muito trabalho passaram a ser mais ainda o seu dia a dia.  Marilice passou a compreender que apenas tinha subido uma escada. E agora, buscar os apoiadores, os patrocinadores, os anunciantes e os amigos, todos fundamentais para a continuidade deste projeto social CUIDAQUI! O cuidado só se faz "uns com os outros".

Por que Cuidar Quem Cuida?

Um familiar de pessoa especial é invisível. Esquecido pela sociedade, quem escuta suas dores? Amigos sabem o que fazer com elas? Ao carregar sua vida e a vida de outra pessoa ele se esgota. Adoece e continua cuidando.  É preciso dar a atenção necessária aos cuidadores familiares... Ele é de carne, de osso – e de sentimentos! Cuidar do cuidador é cuidar de uma família. (Marilice Costi)

Visão: Ser referência no cuidado com as pessoas especiais e seus familiares no mercado nacional e internacional, na oferta de produtos, serviços e informações, de forma a tornar-se sustentável, gerando valor às partes interessadas.  

Missão: Oferecer suporte a quem cuida de pessoas especiais para reduzir seu risco de vulnerabilidade (adoecimento do cuidador), tendo como objetivo o bem-estar de sua família.

Valores: Acolhimento, valorização e cuidado na atenção à família de pessoas especiais para maior sustentabilidade, bem-estar e qualidade de vida.

Nosso Mote: Um cuidador bem cuidado cuida melhor!

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               Os anos passaram e muita coisa mudou. Seu pai adoeceu. A empresa trocou de gerentes e anos depois entrou em concordata. Veio o Plano Cruzado logo após a empresa ter feito empréstimo para aumentar as câmaras frias e estocar para exportação. Não houve como quitar a dívida bancária assumida por estímulo do governo. Com uma inflação de mais de 80% ao mês e os preços congelados, a falência foi decretada. E assim foi também com a rede de frigoríficos gaúchos familiares, que se desfez como um castelo de cartas. Os mais modernos  foram adquiridos pela Sadia ou pela Perdigão. A dúvida ainda persiste: isso não foi provocado pelo próprio governo de acordo com as empresas? Uma negociata? JBS?