Confraternização no Dia 1º de maio – crianças e filhos maiores dos funcionários e operários da Z.D.Costi

 

 

Seus pais eram incansáveis. A mãe, Alice Sana Costi, participava dos nascimentos, casamentos e mortes. Muitas vezes acompanhada de seu pai, Zeferino Demétrio Costi, estavam presentes na vida dos operários e da comunidade.

Quando mocinha, Marilice gostava de estar com seus primos com deficiências, que também eram convidados para a festa de Natal em sua casa. Eles diziam seu nome de um modo muito especial. Tentou alfabetizar a prima, ela ria…

Sua mãe fundou e dirigiu a APAE (Passo Fundo/RS) por mais de trinta anos e o pai administrou o frigorífico Z.D.Costi e Cia. Ltda. por mais de quarenta anos.

Uma marquise tem o nome APAE e telefone na fachada de tijolos à vista e esquadrias,

Fachada principal da APAE de Passo Fundo

Anos depois, ela deu à luz a gêmeos prematuros. A partir de então, o cuidado materno se tornou muito intenso, pois teve mais uma menina e bem mais tarde outro menino. Um dos gêmeos demorou mais tempo que o outro gêmeo, para falar, sentar, ter equilíbrio e caminhar. Era pouca coordenação motora tanto ampla quanto fina. Aos três anos, seu comportamento passou a ser mais agitado e agressivo. Logo iniciou  tratamento, após avaliação de especialistas de Porto Alegre. O autismo não era conhecido como hoje. Havia psicose, retardo no desenvolvimento, problemas de comportamento…Era 1974 e era comum chamar as mães de “mães geladeira”. O tempo em que tudo dos filhos era de responsabilidade da mãe.

Seu pai recebeu o Título de Cidadão Passo-fundense na década de 60. Alice também recebeu o mesmo título, anos depois, pelo seu trabalho na APAE.

E, em 1975, ele recebeu medalha de Mérito Industrial da FIERGS devido ao seu trabalho empresarial.

Alice recebeu o título de Cidadão pelas mãos de seu marido na Câmara de Vereadores de Passo Fundo.

Demétrio recebeu diploma de Mérito Industrial e medalha do representante da FIERGS em Porto Alegre.

Os anos passaram e muita coisa mudou.Seu pai adoeceu. Novos gerentes da empresa, estimulados pelo governo, fizeram empréstimos para aumentar as câmaras frias e estocar produtos para exportar. E logo depois, o Plano Cruzado impossibilitou a quitação da dívida bancária. Com a inflação de mais de 80% ao mês e os preços congelados, a falência foi decretada. (1)

Naquele tempo, Marilice descobriu-se empreendedora. Lutou com o apoio da mãe tentando resgatar a empresa. Sabia de seu valor histórico. Mas não havia mais o que fazer. Então organizou o material que tinha em mãos e se dedicou ao artigo Frigorífico Z. D. Costi: história de uma vida fabril. O trabalho foi apresentado no Seminário de Arquitetura Industrial da UPF, em 2003.

Alice nunca desanimava. Continuou se dirigindo às filas nos bancos para pedir ajuda para a APAE.

Criança brinca ao lado da mãe. Uma moça de uniforme branco apoia o 'cuidador' colocando suas mãos sobre os ombros da mãe

Revista O Cuidador edição 15 – Como romper barreiras?

Organizou reuniões com religiosos, políticos, empresários, jornalistas e amigos, para conseguir recursos para pagar professores. Era muito respeitada na comunidade e conseguia!

Em 2008, Marilice inciou uma vida empreendedora com a criação da revista O Cuidador da empresa SANA ARTE. Sua mãe ficou feliz com o trabalho da filha. Foi assídua leitora e crítica. Contava das dificuldades do pai com a própria empresa, do quanto demorou para ter lucro e como fizeram economia juntos para superar as muitas dificuldades de empreender.

Infelizmente, Alice não leu a edição com a matéria sobre a APAE e do desfile de carnaval, pois faleceu antes, em agosto de 2013.

Página do editorial da revista O Cuidador com foto da editora com o abre-alas da Escola no Carnaval.

Os professores criaram um hino em sua homenagem, prepararam os alunos para cantar, dançar e fazer coreografias, providenciaram suas caracterizações com o auxílio da comunidade e da família. Foi muito emocionante ver a arquibancada se levantar, sambar e cantar com os alunos. Marilice e Celi Maria participaram do desfile e se emocionaram muito.

Cuidar cuidadores

Marilice percebeu o quanto os familiares estavam sofridos ao se identificar com eles ao participar de uma reunião no CAPS Centro em Porto Alegre. Era 1997 e aquele dia foi um marco em sua vida, pois passou a agir para cuidar deles.

Tentou uma Oficina de Arteterapia para o Centro de Saúde Modelo, mas não foi aceita. Anos depois, recebeu PRONAC para o Projeto Fênix: arte ao cuidador e não conseguiu patrocínio. Com uma amiga, propôs outra Oficina para o FUMPROARTE, aprovada na 1a. etapa, depois desaprovada porque não consideraram que era da área da cultura.

Quem se importava com quem cuidava? Eram tempos em que a palavra “cuidador” não era encontrada no Google. Marilice dirigiu-se então a um empreendimento seu.

Capa da edição comemorativa – 5 anos da revista O Cuidador

Em 2008, lançou o a revista O Cuidador – a revista dos cuidadores – com a missão de cuidar quem cuida. Construiu uma rede solidária em torno do projeto. Seu filho autista ficava radiante quando a revista chegava da gráfica. Era ele quem as envelopava e se responsabilizava pelas entregas. A revista foi feita até 2015. Foram mais de 220 pessoas entre colaboradores e apoiadores, artistas, escritores e muitos familiares com suas experiências no cuidado. Com a crise econômica, teve que encerrá-la e assim fez na edição 40.

Nada lhe tiraria a vontade de cuidar dos familiares. Com um crowdfunding arrecadou 75% dos recursos para criar a Biblioteca Virtual O Cuidador. Mesmo assim conseguiu criá-la. Hoje está no site da SANA ARTE

E o que faria agora? Poderia parar?

Ao assistir palestra promovida pelo SEBRAE do RS com o tema “redes sociais e empreendedorismo” Marilice teve este insight: cuidar através de redes!?  Seu sócio achou ótimo e deram início ao projeto.

Cuidaqui.com começou com o objetivo de cuidar de todos. Com amigos em todo o país, como não atendê-los? Tantas patologias, tantas idades… E não sabia como monetizar. Ao saber de seleção para o Projeto Agir do SEBRAE, inscreveu-se e CUIDAQUI.com passou a ter o selo “negócio de impacto social”.

Muito trabalho nos espera. Precisamos de muito apoio e auxílio. Você pode vir conosco? Contate aqui.


Atuamos no cuidado desde 2008, resultado da experiência de Marilice Costi com seus livros, suas oficinas, sua vida familiar, seu trabalho de arteterapeuta e atuação voluntária. CUIDAQUI,com, a revista O Cuidador, seus escritos, suas palestras, o selo O Cuidador, o Livro da Família, tudo tem o mesmo objetivo: cuidar.

Abaixo suas publicações: 

Imagem de um palhacinho bem colorido, feito pelo seu filho.

Capa do Livro Como controlar os lobos?

A influência da luz e da cor em corredores e salas de espera hospitalares, Ressurgimento (Prêmio Açorianos de Poesia, 2006) e Como controlar os lobos?, onde relata a vida de seu filho e o movimento da família até quando o envolveram nas drogas, escrito à mão em três horas; Tempos Frágeis (contos) e Gatilho nas Palavras (ficção).

A fábula do Cuidador – Capa do livro

Seu oitavo livro A fábula do cuidador, conta a trajetória de um cuidador na metáfora de uma flor. Traz a importância do cuidado, sentimentos de quem cuida, os afetos, os medos, a importância dos caminhos, a metamorfose.

A revista O Cuidador tornou-se Enciclopédia e se encontra disponível na Biblioteca Virtual no site da SANA ARTE.

Capas de 30 das 40 edições da revista O Cuidador

5 anos de revista O Cuidador – capas das primeiras 30 edições

 

 

 

 

 

 

Se desejar ler nossas matérias, acesse NOSSO BLOG!


FRASES DE MARILICE 

Cuidadores invisíveis

Cuidadores são invisíveis? São de carne e osso!E quem os cuida? Quem os enxerga? Na área pública, alguém pergunta a uma mãe como ela está? Não querem saber das dores dela. Saberão o que fazer com isso? Deveriam ter mais para os cuidadores familiares… diz Marilice.

Cuidadores e sociopatas

Marilice define a humanidade em dois grupos: ao das pessoas que cuidam, que têm empatia, e o das pessoas sem empatia, que destroem, os sociopatas. Todas as demais cuidam de alguém ou de algo em algum momento da vida.

_____________________________________________________________________________

Convide seus amigos, compartilhe em suas redes!

Informe-nos os produtos que você confia!

Vamos cuidar, “uns com os outros”!

Nosso trabalho é de IMPACTO SOCIAL. Venha conosco!

Marca Registrada

 

Nota (1) Uma rede de frigoríficos gaúchos se desfez como um castelo de cartas. Os mais modernos  foram adquiridos pela Sadia ou pela Perdigão, deixando hoje a dúvida: foi uma falência provocada pelo governo, uma negociata? JBS?
 
Os anos passaram e muita coisa mudou. Seu pai adoeceu. A empresa trocou de gerentes e anos depois entrou em concordata. Veio o Plano Cruzado logo após a empresa ter feito empréstimo para aumentar as câmaras frias e estocar para exportação. Não houve como quitar a dívida bancária assumida por estímulo do governo. Com uma inflação de mais de 80% ao mês e os preços congelados, a falência foi decretada. E assim foi também com a rede de frigoríficos gaúchos familiares, que se desfez como um castelo de cartas. Os mais modernos  foram adquiridos pela Sadia ou pela Perdigão. A dúvida ainda persiste: isso não foi provocado pelo próprio governo de acordo com as empresas? Uma negociata? JBS?