Saiba mais sobre o Preparo Familiar ao TIO AUTISTA

por: Marilice Costi

Quando soube que viria mais um menino para a família, um sobrinho para meu filho autista, fiquei muito feliz e, apreensiva, comentei com os outros filhos: temos que prepará-lo.

Ele sempre teve dificuldades para aceitar qualquer novidade: o novo irmão, as cunhadas e qualquer pessoa que tivesse que dividir com alguém que ele considerasse “seu”. Para ele, o mais complicado seria dividir a mãe!

“A mãe é só minha! A mãe é só minha!” são frases que repete até hoje. Sempre que as escuto, digo-lhe: Não és meu único filho, tenho mais filhos, você é apenas um deles!

Preocupo-me, porque quando eu me for, essa mãe só minha complicará demais seu luto e porque essa relação afetiva imatura me sufoca, como se eu não pudesse dar afeto a mais ninguém e ter que estar disponível somente para ele.

Passei um tempo pensando em como faria. Eu queria evitar sua irritação, sua reação de sumir para o quarto, deitar-se em posição fetal e emudecer no momento exato em que todos iríamos à mesa compartilhar a alegria de estarmos juntos.

Algumas vezes, os irmãos conseguiram que sentasse conosco, mas não era o comum. A sua ausência na mesa me incomodava, pois sou de origem italiana e sempre estou saudosa daqueles momentos com todos.

A PREPARAÇÃO

Começamos a falar sobre o bebê, da alegria de todos na família e do quanto ele seria  importante ao se tornar tio. Que maravilha será... reforçávamos demonstrando os ganhos afetivos que teria.

Eu conversava sobre isso e reforçava a mesma coisa, mas ele continuava: a mãe é só minha...

E foi então que tive a ideia! Disse-lhe que o meu coração nunca se dividia. Que o meu coração era daqueles que aumentava de tamanho quando chegava alguém na família, que todos tinham sempre o seu pedacinho. Meu coração crescia!

A imagem concreta sempre é importante para um autista e isso o tranquilizou.

No entanto, seu comportamento tinha que ser de adulto, porque é o adulto quem protege as crianças. Ele era grande, quase 1,90 m e que eu esperava que se comportasse como um adulto, sem birra, sem sumir para o quarto, curtindo com todos.

Passei a repetir a história do coração sempre que o assunto aparecia, enquanto isso, a barriga de minha nora crescia.

Quando nosso pequeno nasceu, fizemos festa. Ele participou de tudo, fez um cartão, preparou um presente (adora dar presentes). Eu o envolvi nessas conversas, fortalecendo novamente a alegria de termos uma criança na família, mas tínhamos a prova de fogo ainda. Foi quando tivemos a primeira visita do nosso pequenino.

Ele olhava de longe, mas foi se aproximando e, quando ele não demonstrou mais receio de pegá-lo ao colo, fiquei muito feliz.

É difícil não se emocionar com um nenezinho, mas o que ocorreu é que nos emocionamos inclusive com o carinho do tio. Ele observava como ele era pequenino, como eram suas mãozinhas agarrando seu dedo, como lhe olhava, até o cabelinho ralinho, tudo era motivo de espanto. A cena foi de pura ternura.

Tive certeza que, a partir daquele instante, tudo transcorreria bem.

A vinda de nosso bebê foi mesmo uma bênção!

Marilice Costi é escritora e mãe cuidadora, Esp. em Arteterapia e MSc. em Arquitetura. Faz palestras e dá cursos. É CEO do Cuidaqui.com, startup de impacto social SEBRAE.

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