Quando as Mudanças de Rota são Fundamentais

por: Marilice Costi

Nossos julgamentos sobre as capacidades intelectuais dos estudantes afetam cada decisão que tomamos sobre seus programas educacionais, seus sistemas de comunicação e suporte, as atividades sociais em que os apoiamos e o futuro que imaginamos para eles.

Cheryl Jorgensen

Uma vez me disseram que a oportunidade era como uma cabeça careca com apenas um chumaço de cabelo atrás. Se ela abaixasse tínhamos que pegar o chumaço. Se não aproveitássemos o momento, a cabeça se aprumaria novamente e a oportunidade de “pegar o chumaço” estaria perdida.

Chumaço é a oportunidade que não se repetirá. Isso vale para qualquer coisa, inclusive quando temos que decidir sobre mudanças no tratamento de um filho especial. O profissional diz uma coisa, mas você observa que seu filho pode mais. Mesmo arriscando uma frustração (a vida é cheia delas!), certamente você não vai ficar sem ouvir outra opinião. Uma nova avaliação poderá lhe auxiliar.

Meu filho era atendido na mesma clínica há 7 anos. Tinha uns 12 e no último ano não houve progresso. Parecia patinar no mesmo lugar e isso me preocupava muito. Certo dia, não fui quem foi buscá-lo. Ao chegarem em casa, a pessoa que o buscara questionou-me se ele estava convivendo sempre com as mesmas crianças, pois considerou-as muito mais comprometidas emocional e intelectualmente que ele. E isso me fez pensar.

No dia seguinte, agendei uma reunião com o Diretor da clínica, mas antes listei fatos pequenos que me davam sinais. Ele desmontara minha calculadora científica e conseguira colocar os botões no mesmo lugar. Isso era bastante difícil, tanto é que eu nem me dera conta do que fizera no mesmo dia.

Para mim fora um sinal, como se me dissesse: Mãe, posso fazer mais. Um filho especial também pode nos surpreender muito quando acreditamos em seu potencial. Eu estava sempre estimulando tanto ele quanto os seus dois irmãos.

A vida na maioria das vezes nos mostra diferentes caminhos e é preciso escolher entre ficarmos omissos ou nos manifestarmos, entre pararmos ou tomarmos uma atitude, mudar a rota. Como saber se vale a pena se não tentarmos?

No dia em que solicitei seu desligamento da clínica, ouvi do seu psiquiatra: Mãe, a senhora sabe que ele poderá entrar em um surto psicótico, não? E respondi-lhe: Sim, mas saberei o que fazer, trarei-o de volta para cá. Mas… e se der certo? Quanto aprenderá?

  • Ele não retrucou e saí de lá decidida a tentar, já com agendamento para a nova psicóloga.
  • Descobertas

A psicóloga iniciou a avaliação de meu filho e logo me chamou. Meu filho não ouvia bem. O quanto isso poderia estar explicando seu comportamento e aprendizado? Solicitou-me que buscasse avaliações anteriores na clínica, que deveriam estar em seu prontuário. Para nossa surpresa, nada fora feito em todos aqueles anos de tratamento!

Construindo parcerias é que conseguimos cuidar melhor.

Construindo parcerias é que conseguimos cuidar melhor.

Consultados um otorrinolaringologista, depois fizemos audiometria, impedaciometria etc. , exames que atestaram perdas importantes em ambos ouvidos. Assim, tive que conseguir dois aparelhos.

Com a prótese, meu filho passou a ouvir melhor e a comunicar-se com mais clareza na fala e na escrita. Os resultados logo apareceram na escola. As frases que eram desconexas, passaram a ter sentido. Com isso, um novo ânimo se instalou em nosso lar.

Aprendizado

Aprendi que o olhar de uma pessoa de fora da situação familiar pode auxiliar muito, pois com o estresse permanente que temos, como mãe especialmente, esse estresse pode nos deixar um tanto “cegas”.

Valeu a experiência? Crescemos com isso? Apenas um tantinho? Sempre aprendemos com nossos decisões, criamos resiliência se não der certo e isso ajudará em um próximo passo.

No entanto, é importante que tenhamos o acompanhamento de um profissional, dividamos a responsabilidade com familiar, com um amigo, que ponderemos.

Não podemos ter expectativas fora da realidade, aguarde o que seu filho demonstrar e acredite muito nele! Há sempre uma possibilidade dele se construir com isso. Mesmo que o resultado seja pequeno, na vida de uma criança especial pouco significa muito! E, se não der, estaremos mais leves, pois tentamos. 

Conhecemos nossos filhos como a palma de nossa mão. Aposte em seu feeling, ouça o próprio coração e converse com profissionais que valorizam o que você diz. Unir forças poderá dar um bom resultado. 

 

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Cuidaqui corações
MARILICE COSTI é arteterapeuta (AATERGS 072/0808) e escritora. Mestre em Arquitetura (Economia e Habitabilidade) com ênfase em luz e cor. Editou a revista O Cuidador (hoje online) durante 7 anos. Aqui seu livros. A fábula do cuidador, Gatilho nas Palavras, Ressurgimento Como controlar os lobos? Proteção para nossos filhos com problemas mentais entre outros.

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