É difícil, MEU FILHO, muito difícil!… – Saiba mais sobre Paternidade e Autismo

por: Marilice Costi

Antes de saber o diagnóstico do meu filho, passei por um calvário médico para determinar qual enfermidade ele tinha. A partir dos seus dois anos, notei que algo não ia bem em sua evolução, pois ele não falava e tinha dificuldade de concentração até para ver um desenho na tevê.

Pensei que aos seus sete anos, sabendo o que ele tinha, bastaria ir na internet para descobrir quais são os tratamentos possíveis. Decepção total, ninguém sabia qual tratamento seria o adequado e nem a medicação correta, pois tratamentos podiam ou não surtir efeitos já que cada autista é um ser único.

Diante desse quadro de impotência – pois não sendo doença, não existe cura – vem a revolta, o já famoso "por que comigo?", bem como o medo: "qual será o futuro do meu filho?” e “até aonde ele poderá se desenvolver e ter autonomia?" ou ainda... "todos os sonhos que eu tinha para ele poderão se concretizar?"

Nenhum profissional respondeu às minhas perguntas. Passados cinco anos continuei sem respostas.

Com o seu crescimento surgiram novos problemas, dúvidas a mais sobre o seu futuro e permanecem comigo o medo e os desafios cotidianos.

Uso muito uma frase com ele: "É difícil, meu filho, muito difícil!". Logo após falar essa frase para ele, fico com sentimento de culpa na medida em que penso que ele poderia ter evitado os problemas que causa todo dia. Depois, lembro que o transtorno do desenvolvimento deve impedi-lo de discernir qual a conduta "correta".

Um castigo poderia resolver? Mas qual a medida desse castigo? Muitos especialistas indicam rotinas, mas qual a rotina melhor para ele? Como estabelecer uma rotina com um filho como o meu? Sim, são perguntas sem respostas, muitos anseios e frustrações.

Às vezes, sinto vontade de bater nele, de tão brabo que fico por causa de suas atitudes fora do "normal", pois age sem lógica, sem inteligência emocional. Depois concluo que é isso mesmo, ele não tem a minha lógica e não controla as suas emoções.

“Difícil, muito difícil!” – o que digo para ele serve mais para mim – para eu aceitar a situação e não temer tanto pelo seu futuro, quando eu não estiver mais aqui para protegê-lo e orientá-lo.

Sei que faço o meu melhor. Espero que seja o suficiente, pois o importante é ele ser feliz apesar de suas limitações e de viver com as dificuldades também de outras pessoas para entenderem como é difícil para ele e para nós, seus pais.

Quando nosso filho sofre, sofremos junto com ele, mas temos que ter força para auxiliá-lo, para que ele tenha um futuro e seja uma boa pessoa. 

Nesta linha, os pais de quem é autista têm que desenvolver a paciência para com os outros também, pois recebemos reclamações por parte de pessoas maldosas ou ignorantes. São situações que precisamos contornar ou esquecer, mas sempre defendê-lo, pois ele não consegue se defender sozinho, pelo menos enquanto for pequeno.

Por derradeiro, não posso deixar de ressaltar que meu filho, já que não existe uma regra para o autismo, é incrivelmente apegado a mim e super carinhoso. Está crescendo rápido, tem altura quase igual à minha e, com 12 anos, ainda gosta de andar de mãos dadas na rua comigo.

Por mais piegas que possa parecer, o meu amor, carinho e atenção são os “remédios” mais importantes, sem os quais, os outros tratamentos com certeza não teriam e não terão sucesso.

Carlos Cesar Araujo Filho é advogado, desportista e cuidador.

 

SAIBA MAIS DE MIM: SOU AUTISTA!

Minha audição é muito mais sensível .

Fale devagar, espere eu processar a pergunta para te responder.

Não grite, eu escuto muito mais que você.

Eu, muitas vezes, não consigo iniciar um diálogo, mas queria muito conversar com você e ter sua amizade.

Eu faço a mesma pergunta várias vezes, mas para mim é apenas uma forma de te manter comigo naquilo que me interessa.

Muitas vezes o abraço me incomoda, mas eu gosto de carinho, difícil entender, não é?

Às vezes, choro, rio, faço movimentos estranhos, falo sozinho, mas isso faz parte de mim, não vou fazer nada de mal para você.

Não quero ser visto como anjo, místico, de outro mundo, dotado de altas habilidades, quero ser visto como um ser humano apenas.

Tenho medos de coisas que normalmente as pessoas não tem, me ajude a enfrentar.

Não fale mal de mim ou ria de mim achando que não estou vendo ou ouvindo, estou sim, só não consigo me defender.

Tenho algumas dificuldades corporais, uma coordenação motora diferente, apenas compreenda que sou assim, isso não vai atrapalhar sua vida.

Não me passe muitas informações e pedidos aos mesmo tempo, tenha calma que aos poucos eu compreendo o que vc me pede.

Eu tenho minhas manias, mudar minha rotina me incomoda, isso também faz parte de mim, tente me avisar com antecedência que algo programado vai mudar, isso me acalma.

Eu não vivo em meu próprio mundo, eu vivo no mesmo mundo que você, é que muitas vezes esse mundo é tão difícil pra mim, me ajude a enfrentar tudo isso, eu sei que consigo.

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SEMANA DA CONSCIENTIZAÇÃO SOBRE O AUTISMO

Autor desconhecido

Caso você saiba quem escreveu, por favor informe aqui para que lhe demos a devida autoria.