DO SER MÃE 3: Empoderamento & Participação Social

por: Marilice Costi

A mulher vem consolidando seus direitos no século XXI. No século passado, ela se empoderava "atrás das cortinas", no controle da casa e na educação dos filhos. Agora participa de todas as áreas e, ainda, quando separada ou abandonada pelo marido - o que é muito comum quando é mãe de uma criança especial - compromete-se com a manutenção de sua vida e a de seus filhos. Esse "poder" que a fez mais inteira enquanto pessoa, tornou-a muito mais cansada e com muito mais responsabilidades.

Este poder - que sendo compartilhado com o pai é muito mais forte -  é o que pode torná-la mais bem informada e atuante. Ter com quem dividir tristezas e angústias não tem preço. O companheiro que é parceiro é de muito valor. No entanto, muitas vezes esse parceiro lhe aumenta a carga na cozinha, na lavanderia, nos cuidados da casa. E isso é muito comum. O que lhe esgota mais ainda.

A mulher que quero falar é aquela que, mesmo no meio das correrias do dia a dia, consegue separar um tempo para compartilhar suas dificuldades com suas parceiras. as outras mães. Mas não são todas as mães que agem assim. Eu diria que são até poucas no meio do enorme universo de mães de especiais. Há também aquelas que se acomodam, acreditam em tudo que lhe dizem, ficam no seu mundinho, sem perspectivas para si nem para os seus, vitimizam-se, escondem os filhos, adoecem com eles. Exaustas não só pela tripla jornada, mas pelo contínuo desgaste no cuidado contínuo, elas não seguem, não crescem, deprimem. Esse isolamento social e a ausência de esperança são cortinas que velam as suas possibilidades de viver e de auxiliar mais e melhor a quem mais precisa dela..

Esbarra-se ainda na inoperância pública para atender adequadamente uma criança especial. Os cuidados à saúde e a inclusão necessários nem sempre ocorrem e então, ou a criança desenvolve mal e tem pouco tempo na escola ou a mãe precisa complementar com atividades fora da escola, mais um compromisso para ela.

O cuidado público é sempre melhor e maior quando os familiares se unem para cobrar de quem decide as políticas públicas, no entanto, isso não pode parar ali. No Brasil, associações de familiares lutam por melhores condições de atendimento de norte a sul do país e o dia do autismo vem marcando lugar na agenda coletiva do país. Esse movimento aumentará, pois a cada 36 crianças, conforme últimas pesquisas, uma é autista.

A sociedade passou a perceber o problema, mas é preciso fazer muito ainda. Esses familiares de pessoas especiais, sem medo de experimentar, seguem entre erros e acertos, mas o importante é que seguem! E que, de tanto procurarem, acharão muitas soluções!

Quando se sabe aonde se quer chegar, chega-se! Por isso é importante informar-se bem sobre os candidatos e escolher quem apoia a causa, que sejam acessíveis e pró-ativos (e claro, que não sejam corruptos!).

A visão de muitos políticos é estarrecedora. Já ouvi "autistas não votam!" Pasme-se, e ouvi também: quantos autistas há na população? São poucos, portanto não vale o investimento de um candidato... Eu lhe respondi... Mas os familiares votam!  Também ouvi de deputado federal - Pais querem se livrar dos filhos, por isso lutam pelas moradias! Como não sabem nada do cuidado de um familiar com um filho em uma moradia! Colocá-lo em uma moradia não significa abandonar, essa visão é arcaica! E desvaloriza o familiar.

Como é importante que familiares valorizem seus papéis e que se agreguem à associação que apoia crianças especiais!

Empoderar sua vida junto à entidade de seu município é importantíssimo e é por isso que elas são encontradas no Cuidaqui.com  com mais informações sobre sua atuação, o cuidado aos pais também. Confira as que já se cadastraram no Cuidaqui.com. 

É fundamental ser um tijolo a mais nessa construção no cuidado. Participando, os familiares não se sentirão sozinhos.

Confira se o município já está representado aqui, convide a entidade que lhe representa.

 

Marilice Costi é escritora e mãe cuidadora, Especialista em Arteterapia. Ministra oficinas, workshops, cursos. faz palestras. É CEO do Cuidaqui.com - local de Produtos e Serviços para o Cuidado de Pessoas Especiais e de seus Familiares. Uma startup gaúcha de impacto social (SEBRAE). Confira aqui as suas publicações.

Saiba mais sobre Empoderamento (empowerment, em inglês)

O empoderamento devolve poder e dignidade a quem desejar cidadania, e principalmente a liberdade de decidir e controlar seu próprio destino com responsabilidade e respeito ao outro.

Empoderamento das mulheres traz uma nova concepção de poder, assumindo formas democráticas, constrói mecanismos em ações compartilhadas coletivas.

Fonte: http://www.significados.com.br/empoderamento/