Casas geriátricas: um NOVO LAR – parte 1

por: Marilice Costi

Falar em lar, em relação a uma construção, é simplesmente reconhecer a sua harmonia com a nossa própria canção interior preferida. Um lar pode ser um aeroporto ou uma biblioteca, um jardim ou um trailer de comida na beira da estrada. (…) Precisamos de um refúgio para proteger nossos estados mentais, porque o mundo em grande parte se opõe às nossas convicções. Precisamos que nossos quartos nos alinhem com versões desejáveis de nós mesmos e mantenham vivos os nossos aspectos importantes e evanescentes. 

Allain de Botton (2006)

Clínicas Geriátricas são uma boa solução quando as condições econômicas permitem. Também existem as casas geriátricas públicas, mas os critérios de acesso e a quantidade de vagas são aquém do que a população necessita. Carinho, alimento e higiene são os mais importantes itens a considerar. E cada casa pode ter sua própria vocação: para idosos com Alzheimer, por exemplo, mais dependentes; outras para idosos com independência maior, que ainda saem sozinhos ou precisam de companhia, outras para aqueles que têm problemas mentais. Patologias diferentes, misturadas, complicam a convivência e resultam em mais complexidade para administrar. Dependendo da gravidade, há clínicas que mantêm recursos de um mini-hospital: sondas, alimentação parenteral, atenção mais especializada, o que pode ser importante, pois deslocar um idoso para o hospital envolve muitos riscos, sendo a infecção hospitalar o maior.

É necessário um bom levantamento prévio para que a escolha seja a mais adequada. Essa lista com endereços pode ser fornecida pelo hospital, pelos CAPS, pelas Prefeituras. As Secretarias da Saúde dos municípios possuem assistentes sociais e uma equipe de Vigilância Sanitária (vide O Cuidador edição 2), onde técnicos especializados orientam qual o procedimento melhor. Existem normas federais, estaduais e municipais que devem ser seguidas e elas têm motivos para existirem. Foram elaboradas para que as pessoas sejam mais bem cuidadas. Há situações em que os responsáveis dizem que a casa tem alvará de saúde mas é alvará de funcionamento da SMIC (Secretaria Municipal de Indústria e Comércio). É bom ficar atento, pois são controles públicos diferentes.

An entrance gate in a wall into a park. Behind the open door is a way.

Um portão de entrada aberto em um muro, a partir dele se vê uma calçada com as laterais com gramado. Sobre o muro há uma vegetação que cobre também a parte acima do portão.

A decisão

Antes de colocar um familiar numa casa especializada, o cuidador certamente passou por todas as experiências possíveis. Cuidou, contratou alguém para lhe ajudar, falou com médicos, amigos, familiares. Portanto, o melhor a fazer é ir em frente: pesquisar e observar bem.

O primeiro item a ser averiguado é se o local tem Alvará de funcionamento. Se existe este documento, várias exigências legais já foram cumpridas, o que irá, inicialmente, trazer mais segurança a quem a procura.

O poder público tem um papel muito importante nesse cuidado. Essas casas devem ser fiscalizadas periodicamente e os fiscais nunca podem avisar quando irão aparecer, pois quando existe irregularidade, ela poderá ser camuflada. Quando o prédio sofrer reforma para se adaptar às normas, nem tudo será possível realizar. As exigências legais são mais rígidas em projetos novos. É preciso haver certa flexibilidade da fiscalização – desde que não haja perigo às pessoas – , para que a comunidade tenha mais um espaço de cuidar. Informar-se sobre quem fez o projeto, se foi um arquiteto, mais chances de que a casa se encontre em boas condições.

Também é importante saber quem é o responsável pela área médica e pela área de nutrição, pois são eles que controlam e orientam sobre os medicamentos e definem as dietas. Verifique se há prontuários independentes para cada um, com medicamentos, receitas e alimentação, tudo organizado e de fácil acesso.

Da administração

O cuidador de uma casa geriátrica assina um Termo de Responsabilidade com o órgão público, comprometendo-se com uma enorme lista de itens a cumprir. Isto fica de posse da Vigilância em Saúde. Confira se este termo encontra-se no processo na Prefeitura.

Visite as instalações, observe os detalhes, faça perguntas. Se as informações são reticentes, se ninguém sabe informar, tome cuidado.

Pesquise preços, negocie de acordo com suas condições, faça um contrato. Se existe um modelo, leia com atenção, converse com um advogado se preciso for, depois consulte a Vigilância Sanitária, vá à Defensoria Pública.

Muitos administradores não admitem que o contrato seja lido fora do local. Desconfie. Existem cláusulas leoninas, como chamam os advogados, que só dão vantagens ao contratado e não ao contratante, você.

Os funcionários precisam ser treinados, afetivamente ajustados e cuidados também, pois trabalham com pessoas com quem se vinculam afetivamente e que estão no final da vida. Cuidadores institucionais passam a amar aqueles que cuidam e sofrem sempre com as perdas.

Para cuidar de idosos é fundamental haver rotina e muita higiene, muitas delas evitam a transmissão de doenças.

Cont. na parte 2 (…)

A matéria integral foi publicada na Revista O Cuidador – edição 6, Ano I. O Cuidador, revista dos cuidadores - edição 6, Ano I.

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O Cuidador, revista dos cuidadores – edição 6, Ano I.

Nota: Esta matéria recebeu revisão.

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AUTORA

Marillice Costi é arquiteta mestre em Economia e Habitabilidade (UFRGS), presta consultorias em residências e em ambientes de cuidados.

Glossário:

prontuário: onde se registra dados.

bulbo: tubo ou globo de vidro.

osteoporose: fraqueza óssea.