às mulheres de mi vida – Homenagem pelo Dia da Mulher

por: Marilice Costi

Magros corpos escorridos ou redondos seios de acolhida, ouvidos moucos ou atentos de colo, bocas grandes ou pequenas nos afagos, olhos de muitas ou poucas verdades, interestelares fios de afeto e celulares, muitas em uma só, uma só em muitas, são todas e únicas, comuns e singulares, meus pares de hormônios, terapeutas e irmãs, mães, mestras, junto todas numa só, e és tu, a mais próxima, e é ela, a mais distante, aquela que nunca mais, aquela imenso vazio, aquela que foi-se, a outra que danou-se, minhas colegas do dia, minhas filhas, minhas alunas, minhas especiais, todas fenomenais.
E somos todas Gaia, polaridades da mente inquieta e da mente sem ou a precisar de meta, Robertas, Neusas, Renatas, Melinas, Marinas, Carolinas, Karinas, Margaridas, queridas, Eloísas, Alices, Elbenices, matizes, Analices, Analúcias, Lúcias, astúcias, Terezas, Jeanetes, Rosanes, Elisabetes, Lisianes,Taises, Clarices, peraltices, Gessis, Fátimas, Janes, Lilianas, Irenes, Gabrielas, Francieles, Mirians, Izabéis, Marias, Beatrizes, Celis, Dulces, Denises, Ednéias, colméias, Margas, Margaretes, Ingrids, Lenas, Helenas, Marias, Gladis, Carlas, Lianas, Domingas, Neivas, Cristinas, Ângelas, Sônias, Sissis, Taimaras, Silvanas, Lilianas, Joanas, Lias, Maras, Glacires, Lurdes, Renatas, regatas, Martas, Suzéis, pincéis, Mônicas, Aldinas, serpentinas, Suzetes, Deisis, coquetes, Silvias, Selenes, Suzanas, cabanas, Graças, Joanas, as manas, Clarices, Angélicas, Julietas, violetas, Beatrizes, Delis, Glacis, Yasmins, Janices, festins, Valescas, Vivianes, Juçaras, Veras, Elviras, quimeras, Simones, Adrianas, Janainas, Agdas, Bárbaras, Berenices, Telmas, Joelmas, Rejanes, Marianes, Luizas, Giseles, Vitórias, Micheles, Rosanas, Dominiques, Marilus, Clarindas, as dindas, Giselas, Carmelas, Cláudias, Anas, Marianas, Neumas e Léos, chapéus, Odetes, Normas, Natálias, crisálidas, Marisas, Sandras, Francilenes, Marlenes, Tenizas, Hildas, Eloás, Nenas, Morganas, Reginas, Raquéis, Rosas, chorosas, Zilás, Zairés, cafés.
Multicores, todas em uma, vir-a-ser viés de lunas, as Antonias, Amélias, Aldas, todas meus amálgamas.

Todas rimas com meninas: com ventre, serpente, vertente, carente, doente, potente, coerente, poente, dormente. Trens, chás, trilhos, que carregam meninos. Doutoras, parteiras, benzedeiras, cantoras.
E todas sois sóis e estrelas, cadentes e valentes, pó, argila, chuva e terra; firmes no firmamento, estrelas Dalva, estrelas da manhã, Yansã ou verdes orvalhos ou garças gaivotas ou pombas águias.
Estas mulheres de minha vida são água e fogo, terra e vento. Luz e lamento. Tormento e encanto. São o quanto sou de amianto, de manto, de acalanto.

Meta-morfeu-apoteosis-fênix

Cuidadoras de mi vida

mundaréu nimim.

Imagem de mulheres que se reuniam para fazer piquenique. No centro está Vovó Madalena com bebê no colo.

Piquenique de Mulheres na Zona Italiana (Final Séc. XIX). Ao centro a bisavó materna de Marilice Costi, Madalena, segura um bebê.

Marilice Costi escreveu esse texto em 08/03/2008. Foi publicado na Revista O Cuidador 14 – 2011/1, p.15 – Ano III, na edição toda dedicada à mulher e seu papel cuidador, encontrada na Biblioteca Virtual O Cuidador – SANA ARTE.

Escritora, arteterapeuta, arquiteta, editora, Marilice recebeu Prêmio Açorianos 2006 para o livro Ressurgimento. Tem diversas publicações, entre elas A fábula do Cuidador e Como controlar os lobos? proteção para nossos filhos com problemas mentais. Dá palestras e workshops. Ministra Oficinas, também com o foco em Arteterapia, a próxima iniciará em 14 de março/2017 , confira aqui.