Dicas simples e o Natal!

por: Marilice Costi

Como valorizar seu Natal sem gastar e dar o melhor?

Afirmam pesquisadores que nas famílias brasileiras a crítica prevalece sobre a valorização do próprio grupo. A intolerância é cada vez maior e o que é reforçado é o defeito no outro. O resultado são relacionamentos desgastantes e de pouca duração, dias mais cansativos, vazio...

São muitos os sentimentos negativos que impedem que as pessoas se expressem e se aproximem.A ausência de elogio, assim como a de diálogo, afeta as famílias e também os cuidadores. 

Sempre é melhor valorizar. E lembremos que os erros existem para que aprendamos com eles, cresçamos em nossos relacionamentos.

Raros homens elogiam suas mulheres, mesmo que elas tenham feito tripla jornada e ainda sejam suas cuidadoras. Raras mulheres percebem pequenos que também pequenos gestos masculinos são formas de carinho. Converse sobre isso na família e muita coisa poderá ser descoberta.

Antigamente, quando as famílias se reuniam para contar histórias – não havia televisão, nem computadores – o imaginário se enriquecia, as relações se estabeleciam de forma mais harmônica. Mitos, piadas, histórias de pescarias! Era uma forma de avivar as raízes para fazer pontes naturais de afetividade. Tempo de mais acolhimento e segurança que pode ser resgatado.

A falta de diálogo é sempre prejudicial. Como se emburra, escolhe-se a mudez, a expressão do rosto fechada. Sem voz, qualquer um adoece! Primeiro fisicamente ao somatizar. Depois, enrolado em tanto sofrimento, necessitará de antidepressivos e apoio terapêutico, o espaço para falar da exaustão, da tristeza, do desânimo.

Cuidar de alguém é também observar, compreender. Aceitar o cuidado é permitir a entrada do outro em nosso espaço pessoal. São partes da vida. No entanto, cuidar não é sufocar, mas auxiliar para a autonomia e a melhora; aceitar o cuidado não é largar a própria vida no colo do outro. O ponto adequado para sermos uma pessoa inteira está numa linha tênue onde está a autoestima. É bom ter cuidado. 

Complicado é quando o cuidado não é aceito e não se sabe como agir. E sofre-se, especialmente quando quem amamos está com demência, transtornos mentais, agressividade ou doenças terminais que mobilizem a dor da perda. Quando não se sabe o que fazer, é hora de pedir ajuda aos amigos, ao médico, a um assistente social, à Defensoria Pública... ou a quem atua em cuidados paliativos.  

O cuidado é importante em todas as áreas. Simples, amplie o seu olhar para além do cotidiano familiar. Um funcionário público é cuidador quando protege o cidadão, projeta escolas, praças, postos de saúde... Um síndico também, quando administra pensando no bem-estar dos moradores, não apenas no seu.  Um empresário que se dedica em manter viva sua empresa ou um profissional que executa com ética e amor o seu trabalho.

Duas pessoas se abraçam

O abraço faz um elo entre histórias.


 

Cuidar também é uma arte. Quantas vezes precisamos ser criativos ao arrumar um prato para servir a um doente? Como demonstrar carinho? Olhe para o lado e observe-o. O que ele gosta? O que precisa dentro de si? Um abraço? Escuta? Um colo? Um chá? Ou ouvir um poema, um conto, uma história. Perceba a voz. Que tom ela tem? Perceba o aperto de mão, a expressão do olhar. 

Desenvolver a percepção não é complicado. Comece sentindo com o coração. Observe o movimento, a atitude e o olhar, e ressalte a beleza, a esperança, o gesto, a ternura nas pequenas coisas.  

Mas nada substitui o abraço, pois com ele acolhemos histórias, a preciosidade de qualquer um.

É nos pequenos gestos que compreenderemos que os problemas podem ser menores se compararmos com tantos outros: a miséria, a fome, a ausência de moradia, o abandono, a doença mental que tanto isola. 

Antes de reclamar, faça uma lista do que ocorreu de bom na última semana. E valorize a vida que nos permite estar lendo este texto e podendo pensar melhor na própria vida. Termos enfrentado este ano tão conturbado e sobrevivido a quantas dificuldades no país com reflexo em nosso lar? Valorize a sua turma, reúna os seus amigos, os seus familiares, organize a sua festa e lembre-se de inserir uma ação neste encontro. O que fazer para cuidar um pouquinho de mais alguém? Com certeza existe algum vizinho sozinho ou doente, alguém próximo hospitalizado, um desconhecido a precisar de um carinho.

Inicie no Natal a preparar um novo ano solidário. Assim como CUIDAQUI.com que quer cuidar familiares que cuidam de pessoas especiais (veja Nosso Projeto), descubra também como se aproximar do próximo. Cuide também.

Cuidaqui corações
MARILICE COSTI é arteterapeuta (AATERGS 072/0808) e escritora. é Mestre em Arquitetura (Economia e Habitabilidade - UFRGS) com ênfase em luz e cor. Criou a revista O Cuidador (hoje enciclopédia online). 
LIVROS PARA O NATAL: A fábula do cuidador, Gatilho nas Palavras, Ressurgimento Como controlar os lobos? Proteção para nossos filhos com problemas mentais.
Cuidaqui corações